| 25 octobre 2025 (yano) samedi

Há um pulso que começa no centro do corpo para a periferia. Paixão violenta em deslocamento, movimentação dos braços a partir do centro (karin, ginga). A partir daí é que começa, a caminhada continua como uma âncora, me sinto sozinha, penso nos fantasmas, imagino  as mulheres da vida que já estiveram aqui. O amor é feminino? Encontrar a passividade, aquilo que absorve, um eu que é absorvido pelas coisas, por exemplo, o chão toca as solas dos meus pés. Edição - Edição - qual o aprofundamento? 

O trajeto é um ideal, gosto de pensar que estou numa trajetória de infinito e às vezes de espiral 

"quando se locomove, não avança, como nós, ao longo da segunda dimensão em direção à terceira. Mas se projeta, dentro da terceira dimensão, rumo a uma quarta. A sua postura não nega a segunda dimensão, como o faz a nossa, mas perfura a terceira dimensão como uma parafuso. Nós negamos o mundo perpendicularmente, ele espiralmente. Nossas dialéticas são diferentes uma da outra"

(..) para nós, a distância mais curta entre dois pontos é a reta. Para ele, a distância mais curta é a mola que faz coincidir os dois pontos quanto retraída. Sua geometria é dinâmica.. Não pode haver, para ele forma imutável. Não é platônico, é orgástico. Não realiza a contemplação filosófica, mas a vertigem filosófica é sua atitude"

A influência daquilo que leio na escolha do que decido dançar, por exemplo,  A VERTIGEM FILOSÓFICA É SUA ATITUDE, neste momento este pensamento me leva para a percepção do osso esfenóide ou ainda a ação de "bagunçar o labirinto", giros e quedas a partir do peso da cabeça. O texto me coreografa.

As curvas da trajetória que desenho no chão com os passos da caminhada, embalam ou aceleram, a cabeça (esfenóide e labirinto, esquerdo ou direito) tendem numa direção centrípeta. A percepção óssea me coreografa. Onde minha barriga escolhe ir, vísceras e emoção, minha barriga quer achar um lugar que traga conforto, a sensação do peso dos órgãos aceleram meus passos e os deixam mais seguros, minha barriga escolhe, minha barriga me coreografa. 

Retomar os socos em mim mesmo, retomar a água e os impulso do esterno e das costelas. Tenho tantos ossos, tantos órgãos, tantas invenções, imaginações, mas ainda sim me sinto sozinha, to sentindo meu joelho, porque meu músculo sólium está comprometido com um nó, as dores do meu corpo me coreografam. 

Sobre as quedas... as quedas? Elas são necessárias ou elas são um sucesso nacional da dana contemporânea? Ou simplesmente são meu repertório, minha história, minha trajetória? Por que deveria negar? Estou provida da palavra e isso tem me corroído - a privação ou o não ter vocabulário francês? estou me fechando me travando, fingindo ter um problema, preciso de um texto pelo menos pra tentar nos ensaios. Um parágrafo em francês. 

____________________________________________Este________

Talvez seja importante encontrar um certo equilíbrio, uma seriedade nessa brincadeira de andar de mãos dadas com o vazio. Encontrar uma maneira de amar. 

Você pode ver meu coração ? você pode mastigar meu coração? Consegue respirar minha vertigem filosófica?  Desde que cheguei aqui em Montpellier há um mês, sempre que pergunto a uma pessoa, como ela está? ela me diz: "je suis fatigue" e  eu penso ... fatigue do quê?

O cansaço é uma boa justificativa neoliberal pra tristeza.

Minhas costelas rasgam minha pele, quero inverter-me pra quarta dimensão, minha tecnologia de ser humano está entrando em falência... como tudo? Não, isso não é uma legenda pra minha dança. É real,  o ar seco daqui rasga minha pele.  

Quantas janelas existem nesta cidade? Quantos sinos de igrejas existem nesta cidade? 



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