23 de outrubro 2025 estúdio Yano 

Começo lendo o mesmo capítulo "sua existência". Me pego mais íntima com: humano anda contra o mundo, o Vampyroteuthis sorve o mundo, vai da passividade para paixão violenta. Isso me faz pensar que as imagens mais lentas ou as pausas precisam ser estendidas no espaço, encontrar o pulso interno deste estado mais passivo para explodir em paixão violenta formando desenhos mais abstrato e borrado no espaço, este instante vem a memória da voz do Osmar dando o timing dessa explosão, como um sino. As caminhadas estão ganhando um desejo de desenho no chão, entre espiral e símbolo do infinito, a cada curva percebo o labirinto quase uma queda ou a entrada para um parafuso. No infinito continuo tentando encontrar possíveis presenças que poderiam estar ali, tudo isso são lembranças que exigem uma certa organização. Pensei na mulheres que fora presas neste prédio cheio de janelas. Estou numa crise com a palavra, em dizer e improvisar com as palavras, não parecem fazer sentido aqui se eu não falar em francês,  amanhã tendo a começar um texto de atriz. 

As janelas insistiram, abri todas, senti o vento forte do outono rasgando a minha pele, secando minha garganta, movendo os cabelos, talvez eu abra as portas do teatro, as janelas do teatro, o som da cidade invade é uma o VLT da Cinelândia , seria uma alegria se fosse uma realidade digerível. A memória é uma verdade. Penso num cenário com espelhos, diferentes ângulos, diferentes formas, como aquela casa de espelhos dos parques de diversão, penso que ter ideia é uma armadilha mas pode ser uma janela de saída. Revelo dizendo "CACETA DE AR SECO DE MERDA" imagino jogando bola em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. A relação destrutiva, preciso destruir-me em relação a ideia semântica das coisas. tirar os significados, olhar com passividade recebendo a imagem da minha coisa. Vejo o desejo pela ironia pela palavra chegando, brincando de maneira falsa com o idioma que também é meu. Vou decorar alguma coisa, uma coreografia textual... pode ser uma janela. Por que ando tão preocupado? Na real, sempre fui preocupada com tudo, todos, o tempo todo, a despreocupação é um disfarce ou um estado relaxado de me manter preocupado. Uma camiseta de polvo, Vou dançar com uma camiseta de polvo e uma bermuda jeans e um tênis roxo, como posso pensar em tantas coisas fugidias agora/ ideias/ideias .. que to ensaiando. que coisas é estar sozinha. vou escolher a imagem do livro, ideias, ideias, ideias, ideais, são ou não a coisa? são uma distração de futuro, pensar no futuro é bom para disfarçar e não viver o presente. O passado está nas costas da gente, ouvi Daniel dizendo isto, o que é presente? grito: ONDE FUI ME ENFIAR, NESSE BURACO DE FIM DE MUNDO!  Lembro de Laura me dizendo isso. 

Há sinos de igreja, há folhas de outonos amareladas, há milhares de janelas medievais, que não levam a lugar nenhum, estou obcecado por janelas, será que tenho tendências ao voyeurismo? Tudo isso eu disse em português. O que posso dizer em francês? 

J´ai dit que je ne savais pas comme dit passáro (l´oiseau). Je vai répeter ce que jái dit hier. Les frênetes sont fermées, le sol, le soleil. Je pense qu´ecrire est plus difficile que parler. 

Peux-tu voir mon coeur? 

Peux-tu mâcher mon coeur? 

Cobien de cloches d´eglise y a-t-il dans cette ville? 

Tous les jours, je peux entendre les cloches des églises..

Qu´est-ce qui rend cela si serieaux? 

Je suis un clown et maintenant, ce mot: MAINTNANT, est trés laid. En portugais on dit AGORA.









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